Um recorde de 212 ativistas ambientais foram mortos em 2019, uma média de mais de quatro mortes por semana, de acordo com um novo relatório da ONG ambiental Global Witness. A maioria das mortes ficou impune.

Dado que 2019 já é o ano mais mortífero para os ativistas ambientais, a Global Witness diz que o número real de mortes provavelmente será muito maior, pois muitos casos não são relatados.

"Muitos dos piores direitos humanos e violações ambientais do mundo são alimentados pela exploração de recursos naturais e corrupção no sistema político e econômico global", disse Rachel Cox, ativista da Global Witness.

Os ativistas que protestavam contra o desenvolvimento no setor de mineração foram os mais expostos, com 50 mortes de manifestantes em 2019, seguidas pelo setor de agronegócio. A indústria madeireira sofreu o maior aumento de mortes desde 2018, com 85% a mais de ataques relatados contra ativistas.

Metade das mortes relatadas em 2019 ocorreu na Colômbia e nas Filipinas, com 64 e 43 mortes registradas respectivamente. [19659003] A Colômbia viu o maior número de assassinatos de ativistas ambientais já registrado em um único país desde que a Global Witness começou a coletar dados em 2012. As Filipinas, que foi o país mais mortífero para os ativistas ambientais em 2018, continuam sendo o país mais perigoso da Ásia para defensores ambientais.

O relatório também descobriu que 2/3 das mortes em 2019 ocorreram na América Latina, que tem sido o continente mais perigoso para ativistas ambientais desde 2012.

Povos indígenas Eles são desproporcionalmente mortos por seu ativismo ambiental, representando 40% das mortes em todo o mundo. Desde 2015, 1/3 dos ataques fatais contra ativistas ambientais são contra povos indígenas (representando apenas 5% da população mundial). No Brasil, 90% das mortes registradas no país ocorreram na Amazônia, onde vive aproximadamente metade da população indígena do país. As mulheres, que representam mais de 10% dos ativistas assassinados, também enfrentam ameaças específicas de gênero, como a violência sexual.